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sábado, 14 de março de 2015

O CAMINHO DAS PEDRAS



                                                                              PEDRO DURVAL LIMA
http://paulinhocaipora.blogspot.com.br/
DURVAL 
Conhecido pela maioria como Durval da Pedreira, ele é um dos  mais antigos CABOUQUEIRO (cortadores de pedras), de nossa região, chamado pelos amigos de cabuté, eu o encontrei ainda com a talhadeira e a maceta (tipo de martelo usado), na mão isso aos 76 anos sob um sol de 40 graus brincando.  Chegou aqui 1.958 aos 19  anos, e foi trabalhar na pedreira do Sr. Maximino Fanti (Alemão Fanti), naquela pedreira ele trabalhou por 15 anos, cortando pedras em alvenarias e paralelepípedos.
Milhares de residências de nossa cidade, as suas bases foram feitas de alvenarias, assim como os muros confeccionados em pedras, cito: Hospital Drª Rita de Cássia, Clube das Perobas, Igreja Matriz, e outros. Ele lembra que naquela época  apenas dois caminhões  transportavam as pedras para as construções, e eles pertenciam aos senhores, Antônio Luiz, e Sebastião Poeira, os demais transportes eram feitos pelas carroças puxadas por animais em torno de trinta carroceiros. Segundo Durval, o primeiro trecho de calçamento que havia na cidade era em frente o antigo cinema e a praça da Bíblia. O seu primeiro trabalho foi realizado na Administração Joaquim Alves de Souza. Na administração Enivaldo dos Anjos ele calçou o trecho, que compreendia da ponte que dá acesso ao antigo Vai-Quem-Quer (rua do posto de saúde), até o entroncamento que vai para o asfalto e o outro que segue para a Vila Vicente,  comenta que ao terminar esse serviço um trator de esteira passou por essa rua, e comprovou a qualidade do serviço, várias outras ruas também receberam seus serviços. Foram mais de 100.000 m² de calçamentos feitos por ele, conta que trabalhou e produziu material de calçamento para todas as administrações passadas, ressalta que infelizmente a administração atual 2013/2016, ainda  não comprou nenhuma pedra para as obras da prefeitura, embora ele afirme que calçar ruas com paralelepípedos fique bem mais barato do que com Bloquetes (pré-moldados), ele me disse que com R$ 16.000,00 (dezesseis mil reais), é possível comprar pedras para calçar uma rua de 10 m² de largura por 100 metros de comprimento, e ele como os demais cabouqueiros se sentem desprestigiados porque a administração não está comprando as pedras, mas compram paralelepípedos feitos de cimento, e que a durabilidade fica aquém do material que eles produzem. Hoje vivem da profissão mais de 25 famílias, e que já foi bem maior, em torno de 50, os mais jovens hoje foram para as mineradoras trabalhar como marteleteiros, porque não vale a pena continuar na antiga profissão. Ultimamente quem está comprando o material produzido por eles são as mineradoras para calçamentos nos seus pátios, produtores rurais para calçar os currais, e o município de Vila Pavão. Eles gostariam que a administração os privilegiasse comprando parte do material de calçamento em pedras, como vinha acontecendo, ou seja, dividisse esse bolo, porque eles querem continuar neste trabalho, é pesado trabalhar debaixo de temperatura às vezes de deserto, mas é o que eles sabem e gostam de fazer. Para essa gente, vencer é trilhar o caminho das pedras.

                         A LIGAÇÃO DESTA PROFISSÃO COM OS ANTIGOS POVOS
A profissão de Cortador de pedras ou Cabouqueiro, é uma das mais antigas do mundo, ela foi difundida pelos egípcios a mais de 3 mil anos antes de Cristo. O povo Hebreu era quem mais conhecia desta arte, foram eles que esculpiram os principais monumentos daquela época. É lá que encontramos uma das setes maravilhas do mundo as PIRAMIDES. Os Moais  ou cabeças de pedras  na ilha de pascoa na Polinésia Oriental construídas pelo povo Rapanui, seus monumentos datam de 1200 a 1500 d.C.  Não vamos deixar que esta profissão desapareça.                                                                    

                                         SANTOS F.C.
Durval também foi atleta de futebol atuou pelas equipes do Glegi, quando substituiu o Luiz Simões que havia se casado. Atuou pelo Santos e Botafogo. E  por fim jogou pela equipe da Serraria Surdine, tinha como treinador Antônio Luiz, e o presidente era o irmão do treinador sr. Manoel Luiz. Veja a foto.



                                                                                                          GENAIR
Genair Rodrigues de Souza, em 1.957 aos 14 anos, foi trabalhar na pedreira do sr. Alemão Fanti, onde começou quebrando pedra transformando em brita. Mas a sua vontade de se transformar em Cabouqueiro falou mais alto, e ele ficava observando os passos para o corte da pedra, ele ressalta que aproveitava o período que o pessoal ia para o almoço, ele pegava o ponteiro e a maceta  e seguia à risca o que ele havia visto. Sessenta dias depois o reconhecimento, o sr. Caetano quem comandava o serviço um certo dia viu ele abrir uma bola de pedra, viu o serviço tirou ele da brita e colocou-o no corte, a partir daí foram 55 anos na profissão. Foi lá que conheceu o seu amigo de luta o Durval. A profissão o levou a trabalhar em vários municípios, dentre ele o João Neiva, onde ganhou bastante dinheiro. Ele conta que durante um bom tempo trabalhando na pedreira do sr. Alemão Fanti, no período da manhã  ele vendia verduras para a esposa do mesmo.

Outro com história de sobras para contar nesta profissão é o Baiano, com mais de 40 anos cortando pedras para construções e calçamentos. Ele se orgulha de dizer que criou e sustenta a sua família com esse trabalho, não só ele, mas todos os irmãos que também é parte desta luta, ele que é afilhado do Durval. Nesses 40 anos foram mais de 20.000 m² de calçamentos por bairros de toda a cidade, principalmente nos Irmãos Fernandes, e distrito de Vargem Alegre. Ele desabafa ao dizer que hoje estão sendo esquecidos, e eles não sabem fazer outra coisa a não ser tirar os seus sustentos desse trabalho tão árduo.


                                              CICI
Ele disse que começou nesta profissão ainda na pedreira do Sr. Alemão Fanti, e depois  juntamente com os demais veio para a pedreira no Cardoso, onde trabalhou por mais seis anos, e depois veio junto com os outros  se estabelecer no local onde estão até hoje. Ele também sente orgulho da profissão, e agradece a Deus por sustentar a sua família com a profissão. Ele apenas espera que a administração municipal volte a comprar os materiais produzidos por eles, dividindo esse bolo, principalmente para os profissionais do nosso município.

                                           VALDECIR
O mais novo dos entrevistados, ele tem 24 anos de luta nesta profissão, de onde ele tira o sustento de sua família, e Agradece a Deus pela profissão que Ele lhe deu.
                             (deixe seu comentário).












































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