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domingo, 22 de março de 2015

COPA RURAL, COMO FICA?


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Semana  passada, eu recebi um telefonema de um atleta, e alguém que ao mesmo tempo faz parte daqueles que ainda acredita no futebol, e investe seu tempo e às vezes dinheiro para manter vivo o esporte amador de nosso município. Ele sente assim como muitos, a necessidade de um dialogo aberto e franco com as cabeças pensantes no sentido de reverter a atual situação do nosso esporte local.

A última COPA RURAL, competição que se tornou tradição não só aqui no município,  teve um inicio e um fim lamentável. O que durante muitos anos era a festa do nosso município passou a ser motivos de  agressões verbais e físicas não só dentro de campo, mas de revanchismo politico e agressões fora dos campos. Não foram poucas as vezes que eu ouvi dizer, só porque eu sou eleitor de A ou B, eles estão me prejudicando. Fica parecendo que as pessoas são inimigas, e não adversários.

A quem cabe a culpa de tais fatos?. Os  presidentes, os treinadores, jogadores, árbitros, a comunidade, ou a organização. Eu digo que todos tem uma boa parcela de culpa, que somados só podia dar no que está dando, confusões. Não é difícil de encontrar nesse universo, pessoas que dizem que futebol é assim mesmo, isso não acontece só aqui, é no mundo todo. Então vamos lá: Porque na Europa hoje se pratica futebol sem medo, a não ser por alguns poucos idiotas que teimam em achar que o caráter humano tem relação com a cor da pele. Recentemente eu vi e acredito que vocês também viram as torcidas de Real Madrid e Atlético de Madrid entrando no estádio Santiago Bernabeu se respeitando, não foi divulgado nenhum incidente envolvendo as duas torcidas locais, os estádios lá as torcidas muitas das vezes se misturam e vimos pessoas de todas as faixas etárias assistindo os jogos. 

Aqui no Brasil a coisa parece que vai tomando outro rumo, cito o caso do Grêmio na Copa do Brasil, que foi eliminado da competição por atitude de uma desmiolada que agrediu o goleiro do Santos, chamando-o de macaco. Não podemos esquecer do holligans por onde andam, eles que sempre plantaram o medo na Inglaterra e por onde eles passavam, alguns ainda estão presos, outros precisam se apresentar a uma instituição policial, e só saem de lá depois que a partida do seu time é encerrada. Seriam os resultados obtidos pelas punições, ou a consciência falou mais alto?.

Voltando ao nosso futebol, durante muitos anos participando da organização e divulgação do nosso futebol quase de graça “entre aspas” não foi de graça, porque em 2001 deram-me um mandato de vereador, e em 2009 de vice-prefeito. Ressalto que estive vinculado  durante quatorze anos ao esporte do município em todas as categorias e melhorias nas praças de esportes, onde procurei retribuir, e o fiz com a maior lisura possível, desde a administração do Sr. Jose Honório Machado  quando assumi a direção do ginásio de esportes em 98, até 2012 administração Waldéles Cavalcante.Procurei cumprir com dignidade o meu papel à frente do esporte. Errei em alguns momentos é evidente, fui intransigente em outros assumo que sim, porque quem dirige precisa tomar decisões e elas de algum modo fere interesses.  Digo que  convivi com muita gente bem intencionada e colaboradora, mas muitos tentaram usar de artifícios para se beneficiar, não cabe a mim citar nomes, mas  elas sabiam caso fossem descobertas que a punição fatalmente aconteceria. 

Criamos um conselho disciplinar totalmente autônomo para tomar as decisões cabíveis aos fatos, de acordo com o regulamento vigente. Pra finalizar eu vou contar um fato que aconteceu, onde um dirigente meu amigo, gostaria de incluir na sua equipe mais um atleta, ele me ligou e pediu que eu liberasse a ficha de inscrição. Eu sempre dizia nas reuniões que as fichas depois de entregues jamais seriam liberadas a quem quer que seja, e  se o fizesse seria através de documento assinado por todos os participantes, e naquele momento os presidentes jamais endossaria tal pedido. Portanto nada feito, e eu disse ainda, no futuro você entenderá o porque disso, pois se eu abrir tal precedente hoje pra você eu não terei como negar outros pedidos no futuro. Penso que seja esse um fato que tem pessoas que diziam ou dizem ainda, que eu não fiz nada pelo esporte.
Quando eu relacionei de quem é a culpa do que está acontecendo no nosso eram de seis seguimentos vou dizer por quê:

1º PRESIDENTES: quando entram numa competição e investem o que podemos chamar de absurdo para uma competição amadora, onde o campeão leva uma premiação em dinheiro, mais troféus e medalhas o que não compensa os dissabores durante o evento, teve pessoas que por vaidade investiram cinco vezes mais do que conquistaram para ser campeões, eu pergunto pra ele, se esse não é mais um troféu que logo será esquecido.

2º TREINADORES: que vão para o campo de futebol e não utiliza da função para por ordem na casa, já vi por várias vezes treinadores chamar um jogador para ser substituído, e o mesmo dizer que não vai sair. Se você é empossado em um cargo, tem por obrigação fazer valer a sua autoridade, caso contrário você não vai passar de um fantoche na beira do campo. Os casos mais comuns eu diria que no mínimo são três:  
a-      Desrespeito ao seu técnico. E o mesmo não toma nenhuma atitude.
b-      Falta de espirito esportivo não cedendo o lugar para o companheiro.
c-      Comprova que esse atleta  é indisciplinado e não está preparado para o esporte coletivo.

3º JOGADORES: aqueles que entram em campo carregando consigo uma revolta, ou incapacidade de encarar um resultado adverso, e com isso sai distribuindo todo tipo de agressão ao seu adversário, dando pancadas e ameaçando verbalmente ora jogadores ora a arbitragem a quem compete as rédeas da partida. Pessoas assim prestam um desserviço ao futebol, além de prejudicar a sua equipe que pode ficar com jogador a menos, ainda ridiculariza a sua equipe e posteriormente a sua comunidade. Ai eu faculto as responsabilidades ao:    PRESIDENTE, TREINADOR, E A COMUNIDADE, que não exige a exclusão desse individuo. Esse personagem espanta com palavrões e atitudes as pessoas de bem e suas famílias dos nossos campos.

4º ARBÍTROS: Humildade, eta palavra difícil de se ver. Olha as frases: VAI JOGAR SUA BOLINHA, AQUI QUEM MANDA SOU EU, VOCE NÃO JOGA NADA, CALA A BOCA, e assim por diante. Afinal esse arbitro está preparado para comandar 22 atletas dentro de campo, mais duas torcidas fora dele?, Creio que não. Eu cito aqui uma final entre Santos e Linhares, lá em Linhares. Rivalidade a flor da pele, a federação trouxe do Rio um arbitro não tão conhecido no cenário esportivo, ele se chamava Garibaldo Matos. A tônica da conversa antes do inicio da partida: Eu estou aqui e quero ser mais um nesta festa, os artistas são vocês, eu apenas vou comandar o tempo, mas o espetáculo fica por conta de vocês. Façam a parte de vocês eu faço a minha e todos saímos ganhando. A partida se encerrou em 0a 0,  e apenas um cartão amarelo para um Francisquense que atuava pelo Linhares Didú jogava de lateral direito.

5º COMUNIDADE: cabe às pessoas exigir respeito seja dentro ou fora de campo, mas você só pode exigir quando você se dá ao respeito. Como  pedir aquilo que eu não faço. O torcedor que sai de casa vai ao campo e agride seja o jogador ou o torcedor adversário, está sujeito a levar o revide. Embora um jogador bem preparado tecnicamente e espiritualmente, procura transformar as agressões em energia para derrubar o seu oponente. São noventa minutos para a consagração ou a decepção de um resultado que veio por falta de capacidade racional. Mas volto a dizer a você torcedor, vá ao campo torça, grite, incentive, mas com respeito e dignidade. Eu posso afirmar que mais irá ganhar a sua equipe e a comunidade com muitas presenças nas praças esportivas. Quem em sã consciência vai sair de sua comunidade para visitar a outra se lá só vai encontrar hostilidade e muita falta de educação. Pense nisso.

6º ORGANIZAÇÃO: fazer acontecer algo, a principio parece fácil, mas engana quem pensa assim. Eu ao longo de tantos anos, carregando caixa de som nas costas, montando, fazendo locução, distribuindo brindes, posso dizer que só fazem isto quem tem um propósito, acreditar no que faz, se você pensa somente em ganhar dinheiro porque você é pago pra isso, e se dane o resto, caia fora. Você precisa ampliar o raio de visão do seu trabalho. Você precisa estar preparado 24 horas para as adversidades, e que não são poucas, e se descobrem que você está pouco se lixando para os acontecimentos, você está fadado ao que aconteceu na COPA RURAL do ano passado. Um final triste e cheio de consequências, que não será punindo esse ou aquele atleta ou aquela equipe que irá resolver. Há muito mais por vir do que se pensa.

Vamos aos fatos: abertura da competição tarde de sábado campo do PASSABEM, como apenas uma partida naquele dia, os demais jogos aconteceria no domingo. Você inicia esta partida sem um policial militar para eventual segurança. Foi o arbitro que autorizou?, Se foi ele sabia dos riscos que estava correndo, se foi a organização pecou por acreditar em bom senso. Em hipótese alguma aquela partida poderia ter iniciado sem um mínimo de segurança. E os fatos culminaram com um incidente que só não foi trágico por que em meio a tudo isso ainda existe seres bons que intercederam na confusão, mas começa ai uma caminhada com sequelas, porque uma equipe já seria desligada da competição, quanto à final entre PAULISTA E PIRAÍ, eu estava viajando, soube por alto o que aconteceu e como eu não estava aqui, eu prefiro não comentar.

 Mesmo fora do foco do campeonato as pessoas me paravam pela rua para reclamar de algo da competição. Eu sempre falando com as pessoas, que a responsabilidade precisava ser dividida entre todos os envolvidos na competição, a culpa não é apenas de quem promove, se não houver boa vontade e espirito esportivo tudo se despenca. Na partida entre São João e Paulista, disseram-me que por pouco a coisa não engrossou de vez. Foi um jogo de agressão verbal e às vezes física durante os cento e oitenta minutos. Aí eu pergunto o futebol saiu do campo técnico para o campo de quem pode mais manda mais?. Parece que sim, aí meus amigos pensando por esse lado eu afirmo a vocês, está perto do fim, não tem Santo no mundo que dê jeito se não mudar a mentalidade. É preciso diagnosticar a doença e combater as causas. Se forem os jogadores, árbitros, treinadores, presidentes, e torcedores, que estão promovendo essa crise, chegou o momento de uma ampla reflexão. Trazer para a mesa de debate todo mundo,  presidente de associações, lideres religiosos, representante de escolas, agentes de seguranças, Juiz e promotor. É um direito, meu, seu, nosso de participar sem medo de ser feliz.

Paulo Cesar Andrade.

Um comentário:

  1. Alguém que não quis comentar a matéria no blog ou no facebook, não poupou a curiosidade e me pergunto por que eu a escrevi. Não furtei de falar até porque, é uma realidade estampada para todo mundo ver.
    Mesmo antes nas administrações passadas, já convivíamos com situações parecidas, não tão graves quanto a de 2014, mas houveram jogos que se não tivesse a presença de policiais as coisas tomariam rumos sabe Deus como. Eu expliquei a pessoa o seguinte: a elaboração de um campeonato é interessante para todo mundo, jogadores, comunidades, e administração pública, portanto, as responsabilidades precisam e deve ser dividido, o sucesso então é partilhado por todos, assim como os insucessos.
    Ele mencionou os problemas envolvendo arbitragem, consideradas muito fracas, por não tomar medidas mais enérgicas em alguns casos, e o fato de não seguir uma mesma regra por todos eles, o que para um é lance normal, para outro é falta e punida com cartões amarelos. Eu já pude observar isso, e falava sempre com eles, vocês precisam se reunir e dialogar entre vocês, para entrar num consenso e usar dos mesmos critérios para evitar descontentamento, e consequentemente a insatisfação não apenas dos jogadores, mas dos torcedores presentes nas praças esportivas.
    Gostaria de ressaltar a dificuldade com a arbitragem, hoje está muito defasada, ninguém quer entrar para essa equipe, e olha que o pagamento não é ruim não, em se tratando do que ganha um trabalhador braçal que labuta de sol a sol num período de no mínimo oito horas, é um ótimo trabalho. Porem, o desrespeito em todos os sentidos faz com que eles prefiram a dureza do dia-a-dia, a se expor as agressões de todas as espécies. Em algumas vezes no ginásio de esportes houve pessoas que chegavam a mim falando cobras e lagartos sobre a arbitragem, porque deixou passar uma falta, um lateral invertido, ou até mesmo um lance crucial que acabou em gol e me culparam pela derrota de sua equipe. Eu dizia que eu comprava os serviços da arbitragem, agora obriga-la a não errar principalmente naqueles lances em que se têm milésimos de segundo para acertar era impossível. E quando nada do que eu dizia apaziguava a ira do mesmo, a saída era, então vamos acabar com a competição, porque esses sãos os árbitros que nós temos dispostos a vir aqui apitar as partidas.
    Gostaria de lembrar que diferentemente do passado, os árbitros de hoje erram tentando acertar, o que não se pode dizer de algumas arbitragens dos campeonatos passados, eles erravam premeditadamente, pois não tinha a decência de não se envolver em apostas fora de campo, e alguns se renderam a essa vergonha na passagem pelo nosso futebol.
    Desportistas vamos pensar grande, e pensar grande é não afundar o nosso esporte amador na lama, é ajudar a resgatar e a levantar o que ainda resta, vamos trabalhar para trazer de volta a alegria nos nossos campos. Vamos dar uma chance a garotada que ter a alegria de vibrar com um gol, vamos buscar novamente momentos em que a família estava vibrando com as jogadas dos seus filhos. Para isso acontecer não falta muito, só um pouco de educação.
    Paulo Cesar Andrade.

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